Quem é o gaúcho?

Até a metade do século passado, eram chamados de gaúchos, os aventureiros, ladrões de gado e malfeitores, haraganos, gaudérios, vagabundos, homens sem lei, que viviam nos campos.
No início, quando toda a atividade se resumia à extração do couro do gado selvagem, os habitantes do Pampa eram designados como guaxos, palavra que significava couro cru.

O historiador argentino Emilio Coni definiu o termo "gaudério", aplicado aos aventureiros paulistas que desertavam das tropas regulares para se tornarem coureadores e ladrões de gado e ainda define a expressão gaúcho como sinônimo de gaudério.

Até a metade do século passado o termo gaúcho era depreciativo, aplicado aos mestiços de espanhol, português e indígena.

Quanto à origem da palavra há muitas divergências, a maioria dos autores rio-grandenses acertam a corruptela da palavra huagchu, de origem quichua, traduzida por gaucho, que significa órfão e designaria os filhos de índia com branco português ou espanhol.

O gaúcho vivia nômade, utilizava boleadeiras e o laço como instrumentos para desgarrotear o gado; ergueu seu rancho em terras de estancieiros, dando origem ao peão atual.

Através dos tempos, com estabelecimento das fazendas de gado e com a modificação da estrutura de trabalho, o gaúcho perdeu seus hábitos nômades, alterou seus costumes no trajar e na alimentação, adaptou-se às novas condições sócio-econômico-culturais.

O gaúcho está relacionado com a figura do Tropeiro, que soube conquistar o seu espaço, está na figura de Cristóvão Pereira de Abreu que desbravou trilhas, abriu caminhos e consolidou o espaço rio-grandense; contribuiu para a criação de estâncias e de pequenas povoações.

Está o gaúcho na fundação do Forte Jesus-Maria-José, em 1737,a primeira fundação oficial que selaria definitivamente a ocupação portuguesa do solo gaúcho. Lutou para conquistar o solo e traçar fronteiras na Guerra Guaranítica. Esta presente ainda nas guerrilhas de Rafael Pinto Bandeira que aos 13 anos senta praça, torna-se vaqueano e conhecedor dos caminhos, venceu várias vezes os castelhanos; conquistou Santa Tecla e em 1776 reconquista Rio Grande.

Foi o gaúcho um instrumento de fixação portuguesa no Brasil Meridional, contribuindo para a manutenção das fronteiras com as Regiões Platinas, juntando-se aos exércitos, participando da vida política, tornado-se verdadeiros soldados. Estes casaram com as índias, constituíram famílias, dando nomes portugueses aos seus descendentes, evoluíram socialmente sem perderem suas características.

Participa da Guerra na Província Cisplatina e na Batalha do Passo do Rosário sob o comando de seus caudilhos, todos gente do campo, como Bento Gonçalves.

O gaúcho era um soldado pronto. Para suas lides normais dispunha de cavalo, arreios, faca e outros instrumentos de sobrevivência no pampa.

A Revolução Farroupilha (1835-1845) mostrou seu anseio e soube lutar pelos princípios de liberdade, igualdade e humanidade.

Em 1867, durante a Guerra do Paraguai, o gaúcho é respeitado e participa com astúcia e habilidade surge o Partenon Literário, formado de intelectuais aderindo em massa ao regionalismo preconizado pelo Romantismo, tornando-se o maior Centro Litero-Cultural do Brasil.

O regionalismo é divulgado através da prosa, poesia, conferências, revistas, mostrando a necessidade de não deixar morrer essa chama. Teve o mérito de despertar o espírito nativista do gaúcho que já tinha saído do campo e pudesse manter os usos e costumes de seus antepassados.

Destacavam Apolinário Porto Alegre como prosador; Caldre Fiao, com o famoso Soneto Monarca que retratou a existência e importância do gaúcho.

Mostra sua força nas Revoluções de 93 e 23, lutando pela hegemonia do poder, onde a lança e a espada foram as grandes armas, marcando o caudilhismo, a coragem e muita resistência física.

O gaúcho tem como seu companheiro o cavalo, que sempre foi essencial para sua mobilidade, quer para a guerra, campereadas e rodeios.

Monta a cavalo com grande imponência tornando-se um tipo mais aberto, franco, sincero, corajoso, livre, hospitaleiro.

Tomando chimarrão em torno do fogo aceso ao chão que os gaúchos contam causos e carregam um profundo senso associativo.

Sua história, sua função econômica, a tradição que o envolve, bem como a decadência de alguns, frente ao progresso, são motivos de constantes inspirações literárias em verso, prosa, composições musicais, canto, dança, trova que retratar sua vivência nas mais diversas formas.

O gaúcho

O gaúcho é o tipo característico da campanha. É o nome que se dá ao homem do campo na região dos pampas e, por extensão, aos nascidos no Rio Grande do Sul. O termo gaúcho passou a se generalizar a partir de 1800. Até então, os nascidos no nosso Estado eram chamados continentinos ou rio-grandenses.

O gaúcho surgiu da miscigenação entre o índio, o espanhol e o português, que viviam livres cuidando do gado no pampa gaúcho. Por estar ligado ao campo, tornou-se hábil cavaleiro, manejador do laço e da boleadeira. O gaúcho era livre, sem patrão e sem lei. Antigamente, os gaúchos não eram bem vistos, pois Inúmeros defeitos lhes eram apontados, tais como: ladrões, homens irresponsáveis, malandros, perturbadores da paz.

Em 1820, o francês Augusto Saint-Hilaire assim descreveu o gaúcho: “homem que vivia da carne, morava em ranchos, andava a cavalo e com os hábitos do chimarrão e do fumo. Os gaúchos eram homens de maus costumes, que viviam andando pelas fronteiras. Eram ainda os gaudérios, que andavam sós, sem chefes, sem leis, sem polícia, com idéias vulgares, gostavam de dinheiro para jogar corridas de cancha reta”.

Com o estabelecimento das fazendas de gado e com a modificação da estrutura de trabalho, o gaúcho perdeu seus hábitos nômades. Integrado à sociedade rural como trabalhador especializado, passou a ser o peão das estâncias. O reconhecimento de sua habilidade de campeiro e de sua bravura na guerra fez com que o termo “gaúcho” perdesse a conotação pejorativa.

Depois da Revolução Farroupilha, o gaúcho passou a ser considerado homem digno, bravo, destemido e patriota.

O gaúcho é definido pela literatura gaúcho, como um indivíduo machista, altivo, irreverente, guerreiro, legítimo, é o “centauro dos pampas. Entre nós, gaúcho é aquele que vive do trabalho pastoril, nas lides com gado.

O gaúcho de hoje é fruto da contribuição do índio, do negro, do português, do espanhol, do alemão, do italiano e tantos outros povos, que para cá vieram construir o Rio Grande com uma vida melhor. Por isso, aos poucos o termo gaúcho passou a identificar os filhos do Rio Grande do Sul. O adjetivo se estende ao que é referente a esses homens da vida pastoril, como vida gaúcha, dança gaúcha.

O povo gaúcho valoriza muito suas tradições, exalta a coragem e a bravura de seus antepassados, canta seu apego à terra, seu amor à liberdade, motivando assim o surgimento de uma literatura gauchesca.

O alimento predileto do gaúcho é o churrasco e o arroz-de-carreteiro. O chimarrão é a bebida preferida, chegando a ser o símbolo da hospitalidade e da amizade. Quando o gaúcho se veste com seus trajes típicos, diz-se que ele está pilchado.

Os gaúchos costumam reunir-se nos Centros de Tradições Gaúchas para cultuar, difundir e propagar a cultura gaúcha, entre as gerações.

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